Meu Anjo da Guarda

Acredito na proteção do meu Anjo da Guarda, sempre presente e livrando-me de todo mal, amém!

Logo que separei do meu marido, entrei em depressão. Emagreci, só chorava, sentia-me culpada e acuada. Uma amiga, minha massagista, na época, que é espírita, a Maria José, com o propósito de ajudar, levou –me para tomar um passe. Como sou católica, relutei no início, mas ela garantiu que nada iria acontecer de fantasioso, que era apenas uma oração. Fui, era a Dona Odete, uma senhora que pintava, tenho até hoje um relógio de parede e mais duas peças de porcelanas lindas, pintadas pela “Odema”, seu nome artístico. Uma pessoa encantadora. Levou-me até seu quarto, sentei em sua cama, colocou suas mãos sobre minha cabeça e rezou bastante. No final, afirmou que o tempo todo, estava um senhor de terno, óculos, cabelos curtos…sentado na cama, do meu lado. Fiquei impressionada, pela descrição, supus que poderia ser meu pai. Seria muita graça ter um pai como anjo da guarda. Só sei que sou muito protegida, pelo meu Anjo. Que talvez seja meu pai, meu Anjo Luiz.

Ganhei óculos de sol, da minha vizinha Telê, dois pares, que eram da sua filha, um mais simples e outro, todo diferente, que adorei. Não os tirava. Sempre que saía colocava. De repente, um belo dia, procuro os óculos da Maria Elisa, nada…perguntei para muitas pessoas, ninguém sabia…que pena… Já havia até acostumado com a ideia de ter perdido. Coloquei os outros, o básico ray-ban, numa boa…tudo certo.

Passado um tempo, quando voltava da Associação, vinha caminhando, sem pensar em nada…veio na minha cabeça o lugar onde estavam meus óculos preferidos. Fui até a loja, perguntei para a vendedora, que havia me atendido há duas semanas, quando fui, junto com a minha mãe, comprar duas saias e duas blusas para ela. A vendedora perguntou como eram meus óculos, fiz a descrição, então ela abriu uma gaveta e eis lá meus lindos óculos. Quando estava experimentando as roupas na minha mãe, tirei os óculos, que ficaram embaixo do monte de roupas.

Quem me deu a dica do lugar, tenho certeza absoluta, foi meu Anjo da Guarda. Eu tinha claro onde estavam…foi soprado no meu ouvido. Fiquei arrepiada…e agradecida.

Esses pequenos milagres acontecem muito, devem ter acontecido “de penca” na minha vida. Porém não tinha a sensibilidade de hoje, para identificar e fazer o agradecimento merecido, agora, com a maturidade, mais atenta e consciente…aí vejo as maravilhas divinas acontecerem, enquanto ainda estou na terra dos mortais. Amém!

São José do Rio Pardo, 08/10/2019.

A moita de bambu e a vida.

Adorava pedir carona, não tinha carro, trabalhava fora, tinha que pegar ônibus, cansada, com a vontade de chegar logo em casa, fazer um pouco de economia… Tudo isso me incentivava a ir até o trevo e pedir carona. Modestamente vestida, com bolsa e livros na mão, não ficava muito tempo exposta sob o sol ou sob a chuva, não tardava e sempre alguém parava para me oferecer carona, não sei se por conta das conversas e da minha postura nunca passei por situações constrangedoras ou ameaçadoras, sempre foram muito gratificantes e, na maioria das vezes, ampliava minha longa e riquíssima lista de amigos.

 Esqueci de me apresentar, sou professora, sempre gostei de ensinar, adoro ouvir histórias, principalmente de grandes amores, tenho muita esperança na humanidade, acredito na honestidade, torço pela felicidade de todo mundo, tenho fé, converso muito com Deus e Ele me atende sempre, reflito sobre tudo que acontece no meu dia e, no outro, procuro ser melhor. Ah! Também curto a natureza. Na minha cidade passa um rio, por conta disso, há muitas cachoeiras… O que é uma bênção!!!  Ouvir o barulho das quedas d´ água, a sonoridade, do vento, o canto das aves, as pegadas no chão, a chuva no rosto… É sempre grandioso todo este contexto, para agradecer, cada segundo, a maravilha de usufruir todas estas mordomias divinas, sempre em meu proveito. Isso, por si só, basta para ser feliz.

Foi em uma dessas caronas da vida que conheci um feirante, que me ensinou uma grande lição de vida.

Era fim de tarde, estava na saída de uma cidade bem pequena, junto, esperando uma carona, o chefe da administração do Posto de Saúde, um senhor já de idade, muito educado e bem humorado. Ele estava bem gripado e com uma pasta pesada nas mãos. Eu, sempre falante, dei sinal com a mão, indicando que queríamos carona, era uma Kombi bem velha. Parou. Entramos. O feirante, muito simples, falava pouco, a conversa tinha que ser reduzida, pois o barulho do motor era ensurdecedor. Como não havia bancos de passageiros, por conta das verduras, sentamos apertados os três, na frente. Nas descidas, o motorista colocava ponto morto na marcha, para economizar gasolina, o tanque estava na reserva. Começamos a ficar com medo, poderia travar a direção… A estrada era de terra, cheia de buracos e muito sinuosa… Aos trancos e barrancos, chegamos na cidade. Bem na entrada, o verdureiro parou sua Kombi e nos disse: Até aqui está bom? Vocês acabam de chegar a pé, pois moro aqui por perto e estou sem gasolina. A correia de um pé da minha sandália rebentou, o senhor do Posto de Saúde, com febre, suando muito, com sua maleta pesada, começou a rir da situação. Começamos a caminhar: eu segurando uma sandália na mão, só com um pé calçado, no asfalto quente; o senhor segurava com dificuldade a incômoda maleta. Só para entender o contexto, estávamos no lado oposto ao que morávamos… O sol ainda estava forte… A subida ficava cada vez mais inclinada… Rimos muito, compreendendo o motorista que devia estar cansado, sem dinheiro, sem gasolina, com vontade de chegar… Não podia dar-nos o luxo de nos deixar na porta de casa. E, durante muito tempo, quando me encontrava com o companheiro acidental de carona, lembrávamos do fato com muito humor, carinho e agradecimento.

Passado algum tempo, estava eu, de novo, pedindo carona no trevo. Estava difícil aquele dia, meio desanimada, vejo um caminhão possante, grande, cores fortes, imponente. Nem me atrevi a dar sinal, era mais um que iria passar e no máximo buzinar. Porém, de repente, pára, dá ré até me alcançar. Da janela o motorista grita: Entra! Vamos! Também moro na sua cidade! Nossa! Como ele me conhece, pensei. Entrei no seu caminhão. Que maravilha! Novinho em folha, com rádio, cama, ventilador, um decalque de Nossa Senhora Aparecida no pára-brisa, minha madrinha. Sentei no super banco, espaçoso, confortável; tudo com muita ventilação e com cheiro de fábrica… Você não está me reconhecendo? Perguntou o motorista. Já dei carona pra você e um senhor, há muito tempo. Tinha uma perua Kombi, muito velha, que sempre andava com o combustível na reserva... Comecei a rir e confirmei com a cabeça a lembrança saudosa, pois o senhor que me acompanhava na carona, já havia falecido, tinha por ele grande afeto, grande amigo! Aí, com o coração entusiasmado, o gentil motorista, contou como conseguiu melhorar de vida: muito trabalho, perseverança e economia. Passávamos por uma moita de bambu, quando fez a rica metáfora: Quando você realmente deseja alcançar uma coisa, você consegue. Está vendo estes bambus, se eu quiser posso arrancar suas raízes com as mãos, tenho só que acreditar. E começar a fazer. Quanta filosofia! Fiquei encantada com a transformação do motorista verdureiro. Nos pés, continuava o chinelo de dedo, mas trazia um progresso financeiro evidente, fruto de seu intenso trabalho, garra e determinação. Mostrou-me um envelope de papel com a “féria” do dia, que maravilha!!!  Deixou-me no centro da cidade com um largo sorriso, agradeci, desejei que seu sucesso fosse uma constante, dobrei a esquina e segui em direção à minha casa, com uma nova visão do mundo, das circunstâncias e da força do poder da vontade.

Esta história acompanha-me como motivação de vida, para não a perder de vista comprei um quadro a óleo que tem uma grande moita de bambu, meu símbolo-meta.

O coração valente, humano e destemido do caminhoneiro guardo, com muito carinho, na lembrança e nas determinações que a vida apresenta-me.

Quando vejo um caminhoneiro na estrada, rezo para que faça uma boa viagem, sem problemas, com tranqüilidade e alegria e que tenha a mesma sorte que meu herói verdureiro.

Bons carnavais

Maria Garcia e eu, somos sinônimo de amizade, felicidade, realizações e muita cumplicidade. Unidas pela profissão, pelas viagens, pelo companheirismo, pelos laços de afeto e, sobretudo, pelo Carnaval. Quem não se lembra das duas nos Carnavais de São José? Éramos presenças certas, sempre fantasiadas com muito cuidado, graça e beleza.

A Maria ficava diferente com as fantasias, eu não. Era só sorrir, e o volume do traseiro, que ficava identificada rapidamente. Achávamos graça em toda essa situação. Tudo era uma alegria só.

      Ficávamos o ano inteiro preparando idéias, pesquisando modelos em revistas, criando… Depois da idéia amadurecida a respeito da fantasia “daquele ano”, íamos a São Paulo, comprar todo material necessário e “mãos à obra”. Nós, incansáveis, no “quartinho de costura” da casa da Maria, confeccionávamos memoráveis fantasias: Palhaço, Arlequim, Espantalho, Nega maluca, Presidiárias

Para a caracterização era na minha casa, regadas de whisky. Íamos vestindo, pintando e bebendo…achávamos que o álcool não estava fazendo efeito…bebíamos mais uma…quando chegava no salão, já estávamos mais que calibradas. Pulávamos a noite inteira…felizes…realizadas.

A Festa começava com o sonho e concretizava-se na folia, durante os quatro dias de Carnaval. Fomos premiadas várias vezes, inclusive de melhores folionas. Brincávamos carnaval pelo simples prazer de divertir. Dançamos nas ruas e nos clubes, sempre esbanjando alegria… contagiando a todos. As nossas fotos carnavalescas eram sempre publicadas nos jornais. A cidade toda nos admirava e aplaudia. Duas mulheres maduras, casadas, com filhos e que, na maior espontaneidade e pureza, divertiam-se fantasiadas como realização de um projeto pessoal. Os maridos não nos acompanhavam. O que não era nenhum problema, nem para nós, nem para eles.

      O espírito da época a respeito de carnaval, divertimento e alegria, colaborava para que nós, inseparáveis amigas e comadres, pudéssemos, com mente sadia, sermos verdadeiras. O Carnaval era super esperado e quando passava, começava-se a pensar no próximo e na próxima fantasia. Quanta saudade!!! Bons carnavais!!!

Hoje já não brincamos mais carnaval, tudo muda, tudo passa…  O que não passou e nem vai passar é a nossa amizade. Ela, viúva eu separada. Ambas aposentadas. Sempre nos falamos, nos vemos e nos ajudamos. Amigas para sempre!

Amizade, quando o tempo não consegue abalar, é o tesouro no fim do arco íris. Ele existe! Eu o encontrei!

São José do Rio Pardo, 25 de setembro de 2019  

Três dias de caminhada

O Caminho da Fé, de Tambaú a Aparecida, ou de Mococa a Aparecida ou de Descalvado a Aparecida sofreu uma alteração a partir de Paraisópolis. Quando chegávamos em Paraisópolis (MG) íamos para São Bento do Sapucaí (22 Km); depois Sapucaí Mirim (10 Km), Santo Antônio do Pinhal (18 Km). Pindamonhangaba (29 Km) Roseira (18 Km) e Aparecida (10 Km); agora, por motivos administrativos do Caminho da Fé, chegando a Paraisópolis (MG) segue para Luminosa (MG – 24 Km); Campista (MG – 17 Km; Campos do Jordão (20 Km), depois, caminho tradicional, até Aparecida do Norte.

 Fiz, junto com um grupo de amigos peregrinos, de Paraisópolis a Campos do Jordão, 61 (sessenta e um Km). O grupo estava composto assim: Ovídio Aparecido Mora, que escreveu “Paciência e descontração no Caminho da Fé”; Luiz Carlos Marques, que escreveu três livros sobre o Caminho: “Passo a passo”; O Caminho da Fé de Tambaú a Aparecida”, “Romarias a pé- A caminho de Aparecida, e um DVD sobre o Caminho e a Júlia, minha companheira de três caminhadas.

 Foram três dias de graças, de contato com a natureza, de reflexão e de muito agradecimento a Deus. Precisamos ter saúde e fé para fazer o caminho. O único problema foi subir a Mantiqueira em um dos seus pontos mais elevados, aproximadamente dois mil metros de altitude (em Campista), às vezes achávamos que estávamos escalando, tão íngreme que era a subida. Mas sempre há a compensação do cansaço, quando subimos um morro:  há uma vista esplendorosa e indescritível do topo. Os olhos não acreditam na magia da natureza que estão desfrutando. É maravilhoso!

O mais admirável foi a história do Chiquinho, um amigo do José Roberto, principiantes no desafio de ser peregrino. Bem, José Roberto havia comprado um tênis para a caminhada de quase quatrocentos reais. O Chiquinho não tinha tênis, pegou um emprestado e bem usado (do irmão de José Roberto), comprou dez meias de um real, que segundo ele, parecem sacos de colocar mortadela, usou, jogou fora. Saíram de Tambaú. Ao chegar perto de Casa Branca o tênis do Chiquinho saiu a sola, aí ele amarrou (o par) com um elástico na frente e outro, atrás. Quando o encontramos na pousada em Campos do Jordão, mantinha ainda o tênis amarrado. Ele ria e dizia que ia patentear a tecnologia, ou coloca-los na sala dos milagres, em Aparecida. Nada aconteceu com os seus pés, ao passo que o José Roberto, de tênis caro e novo, ficaram cheios de bolhas. Chiquinho caçoava do amigo e explicava o feito: “Quando ando na subida a sola vai para frente e os pés para trás, na descida, os pés para frente e a sola para trás, assim nunca há atrito e, consequentemente, não há machucado”. O dono da proeza contraria tudo que sabemos sobre “peregrino”: nunca havia andado mais que cinco quilômetros na vida, é pescador, não fez preparo físico nenhum, sem roupas nem sapatos adequados, com sessenta e cinco anos…. Porém, de um bom humor incrível, de paz com a vida e um amigo que José Roberto não troca com ninguém.

 Conhecer pessoas e lugares enriquece o espírito, amplia a visão que existem muitas pessoas especiais, cheias de histórias encantadoras, com uma vida digna de ser contada e admirada, assim como a do Chiquinho.

São José do Rio Pardo, .23 de setembro de 2019

Bolo de cenoura com cobertura de chocolate.

Se vocês estão esperando uma receita de bolo, enganaram-se, é uma receita de fé e amizade.

Quando fiz o Caminho da Fé, de São José até Aparecida do Norte, a pé, durante catorze dias, em 2006, num dado momento da caminhada, tive vontade de comer bolo de cenoura com cobertura de chocolate. A minha companheira peregrina, Júlia Kazue Matsumoto, disse-me: “Acho que você está querendo muito”. Rimos bastante da minha vontade, no meio do caminho, sem nenhuma possibilidade de que tal fato pudesse se concretizar.

 Quando chegamos a São Bento do Sapucaí, a dona da Pousada disse-nos que poderíamos usar a cozinha para fazermos chá e o que houvesse lá poderíamos usufruir. Depois do banho, fui até à cozinha fiz o chá, coloquei a mesa, esperando a Júlia, quando vi uma vasilha com tampa em cima da pia. Ao abri-la, tive uma surpresa incrível: o sonhado bolo de cenoura com cobertura de chocolate. Um pedaço razoável que deu para dividir em outros dois bons pedaços, para a Júlia e para mim. Olhem o carinho de Nossa Senhora! Se ela nos dá, só sonhando, pedaços de bolo, o que nos dará, se pedirmos coisas mais prioritárias? Ter fé e acreditar faz que nossos olhos vejam, a todo o momento, a mão de Deus em nossas vidas.

 Bem, a história do bolo, ainda não acabou. A Júlia, depois da peregrinação a Aparecida, mudou-se para Águas da Prata. Dias desses, ela me ligou dizendo que havia feito um bolo de cenoura coberto de chocolate e que estava mandando via SEDEX para mim. Júlia lembrou do meu desejo no caminho e quis me presentear. Achei super interessante. Nunca havia pensado que se poderia mandar bolo pelo correio, O bolo chegou intacto, bem embalado e delicioso. Liguei para ela agradecendo e dizendo da maravilha que é conquistar verdadeiros amigos, ligados pelo coração e pela fé.

No dia do meu aniversário, recebi de presente um bolo de cenoura coberto de chocolate, também como prova de amizade, do meu amigo Capitão Vanildo, que ficou encantado com esta história.

O bolo de cenoura ficou sendo, para mim, símbolo do amor que cuida e do amigo que permanece.

Até hoje, Julia e eu mantemos uma amizade fraterna, ela já veio visitar-me várias vezes, e quando está caminhando pela região, avisa-me… vou vê-la. É uma grande amiga, para sempre. Considero-a da minha família. Foi uma benção de Nossa Senhora encontrá-la no Caminho da Fé e, no caminho da minha vida.

Até hoje, também, sou agraciada com um bolo de cenoura coberto com chocolate, pelo meu grande amigo, Capitão Vanildo Costa. Ele associa o dia do meu aniversário, com o aniversário de morte de seu pai. Ficou tão encantado com a história do bolo, que publiquei no jornal da cidade, que agora faz parte da sua continuidade. Assim, em reciprocidade, todo aniversário dele, vou cumprimentá-lo com alguma guloseima. Gosto muito do Capitão e de toda sua família. Um amigo muito querido.

Esta história é um milagre da minha madrinha, Nossa Senhora Aparecida, que, às vezes, parece pequeno, mas quando você reconhece e agradece , toma proporções inimagináveis.

São José do Rio Pardo, 20 de setembro de 2019  

Qual o propósito?

Qual o propósito da minha existência? Esse é meu maior questionamento. Nasci, cresci, passei por todas as fases: criança, jovem, adolescente, velhice…daqui a pouco…não existirei mais. Temos começo e fim. Isso é normal. E que mais esperar?

Há os projetos, os sonhos, as esperanças…tive também…e tenho ainda. A realidade, às vezes, passa perto, outras vezes, longe.

Ser feliz. É também o grande desafio de viver. Já ouvi que não se é feliz o tempo todo, que existem momentos felizes. Por isso que cada momento deve ser vivido intensamente, principalmente se forem momentos bons.

Realização. Outra palavra super verbalizada. Como saber se estou realizada. Se aquilo que fiz, ou faço preenche plenamente meu espírito… Algumas vezes sinto que falta “algo”, não sei definir.

O mais adequado, para mim, é a palavra propósito, meta, persistência…assim vou testando minhas conquistas, ou recuos. Nunca desanimar… Reprojetar e avançar são palavras de ordem.  

Por exemplo: hoje faz um mês que me propus a escrever, no blog, por 30 (trinta) dias. Consegui. Era uma meta que me impus, queria testar minha força de vontade e determinação. Consegui.

Se pude cumprir um propósito tão formal… como escrever, que para mim não é tão difícil, tenho que me desafiar com propósitos mais ousados.

Tenho consciência que meu maior objetivo é ser melhor, a cada dia.

De hoje em diante vou escrever pelo menos uma vez por semana. Escrever, faz-me muito bem, Quando leio o que escrevo, vejo-me, entendo-me, conheço-me…vou continuar escrevendo, sei disso. Tomei mais gosto, escrevo mais fácil, depois deste mês.

Agradeço a todos que me incentivaram e leram meus textos.

Continuem lendo…Gratidão eterna!

São José do Rio Pardo, 19 de setembro de 2019.

A sublime missão de educar.

 Felipe foi meu aluno, há uns 15 (quinze) anos atrás, no Instituo de Educação Euclides da Cunha, no primeiro colegial, de Português.

Sempre muito bonzinho e educado, chamou-me atenção pela sua incompreensão dos textos, nem das perguntas escritas…até que descobri que ele não sabia ler, nem escrever. Não fora alfabetizado, era um analfabeto funcional, foi sempre empurrado de um ano para o outro, um crime educacional e social.

Precisava reverter essa situação, fui atrás da ARPA (Associação Rio-pardense de Professores Aposentados), atrás de uma professora alfabetizadora, que pudesse fazer meu aluno ser alfabetizado de verdade. Uma delas, Maria José Cafola Rossi, mostrou-se interessada e começou a dar-lhe aulas particulares, como voluntária. Conseguiu recuperar o Felipe. Graças a Deus.

No final do ano, dei-lhe de presente um livro: A Semente da Vitória, de Nuno Cobra Ribeiro, rio-pardense, formado em Educação Física, pela USP, foi instrutor de atletas famosos, como Christian Fittipaldi, Rubens Barrichello, Ayrton Senna e outros.

Passados muitos anos, encontro o Felipe na AAR, clube que frequento, como professor da academia. Fez Educação Física e tem um lindo filho. Feliz e entusiasmado pela leitura e pela capacidade, que existe nele, de sempre estar aprendendo e atualizando.

Ontem, encontro novamente com meu aluno vencedor. Aí ele me contou que leu mais de três vezes o livro presenteado, e, daí para frente, lê todos os dias, em média de 20 (vinte) livros por ano. Escreve artigos relacionados à sua profissão, dá palestras e é Personal Trainer. Em sua biblioteca há mais de cem volumes. Escreve diariamente, tornou-se um pesquisador habitual.

A missão do professor educador é fantástica, salva vidas, regenera o espírito, abre caminhos, mostra possibilidades de vitórias.

Quando ouço uma história assim, agradeço minha abençoada missão: ser mestra.

Preciso saber onde anda a professora Maria José, para lhe contar essa linda e gratificante história.

São José do Rio Pardo, 18 de setembro de 2019

Minha vizinha Telê

 Moro em São José do Rio Pardo há 45 (quarenta e cinco) anos, sempre na mesma casa, sempre tendo a Telê como vizinha, do meu lado direito, estando de costas para a rua Benjamin Constant.

Quando vim para cá, a casa da Telê era completa: as filhas solteiras, Regina e Maria Elisa, e o saudoso Paulinho Ferreira. Sempre foram muito gentis comigo e com toda minha família.

Meus filhos eram pequenos, o Fernando tinha 4 (quatro anos) e a Juliana 2 (dois). Trabalhava em Divinolândia o dia todo. Minha mãe que cuidava deles. Se precisasse de telefonar, era na Telê, de trocar dinheiro, era na Telê, arrumar motorista, nas emergências de morte de familiares, era na Telê…tudo era na Telê.

Minha mãe era grande amiga da Dona Niquinha, mãe da Telê.

         Nos aniversários da minha mãe, seu Paulinho, vinha cumprimentá-la, com rosas ou perfumes. Um gentlemen! Festas na casa dele, íamos; na minha, idem!! Uma amizade consolidada por 45 (quarenta e cinco) anos.

         Suas filhas casaram, o Paulinho morreu… Telê ficou sozinha na casa, com as empregadas. Ainda dirigia seu fusquinha, ia a missa no Educandário, todas as noites, e, nas festas das amigas…bem social, muito conhecida e querida.

         Faz uns dois anos teve um AVC. Apareceu diabetes, problema no ombro, dificuldade para andar, pressão alta, dor nos joelhos… tem 87 (oitenta e sete) anos. Daí para cá, tem acompanhante todas as noites; de dia, a cozinheira e a Dita, que está na família há 52 (cinquenta e dois) anos.

         Vou lá quase todas as manhãs, depois que faço meus esportes, dou-lhe um beijo e pergunto como passou a noite, é uma “visita” rápida, às vezes, nem sento. Ela sempre diz: “Fica mais…”   Aí dou-lhe outro beijo e venho ventando para casa, para ver minha mãe e cuidar do almoço.

Todos dias leio a Folha de São Paulo, que ela assina, lê e repassa para mim. Em troca, quando chega a revista Veja, leio e repasso para ela.

         Toda segunda, ela me manda, dois ou três, maços de verduras. Compra para toda família e para mim também…pode?

         Onde vou com a minha mãe, nas igrejas, cafés, passeios …convido-a.  Ela sempre topa.  É uma alegria ter sua companhia!

         Quando precisa, levo-a também para tomar insulina. São em poucas ocasiões, as filhas são muito presentes.

          Diz que sou sua irmã, o que me deixa muito orgulhosa. É uma honra ser reconhecida assim, com tanto carinho, por uma vizinha tão amada. Também a considero como da minha família. Ela torce por mim, e por todos, trocamos confidências, somos grandes amigas.

         Agradeço a Deus ter uma vizinha tão querida, minha irmã de alma, Telê.

São José do Rio Pardo, 17 de setembro de 2019. 

O Armandão faz 62 anos

Hoje é aniversário do Armando Jr, o querido Armandão, filho do saudoso Armando Favoretto, que é lembrado como exemplar educador, exigente, competente, honesto… E da Dona Encarnação, mulher determinada e dedicada à família, infelizmente está acamada há dois anos. Ela é muito bem cuidada e amada por todos da família. Uma exemplo de mulher!

Mas, vamos falar do aniversariante. Quando vim para São José, o Armandão trabalhava no GRAFOS, a escola do Marquito; foi jogador do Flamengo; trabalhou na IRGA; engenheiro; atualmente, sócio, com o irmão Ary, da Malhamania, uma loja de multimarcas de confecções, credenciada e valorizada pela população, no centro da cidade.

Sempre achei o Armando Jr. um homem bonito, elegante e muito educado, não era de muita conversa, às vezes nem cumprimentava, sem muito sorriso…na dele. Hoje o vejo mais comunicativo e sociável.

É casado com a Silvana, uma mulher encantadora, logósofa, artista plástica, amiga, inteligente, solidária…   Sua filha, a querida Sophia, tem uma delicadeza ímpar, meiga, atenciosa, criativa…está passando três meses nos Estados Unidos, para poder decidir quanto à sua carreira universitária. Onde ela escolher ficar, será, sem sombra de dúvida, uma excelente profissional.

Com essa estrutura familiar afetuosa, o Armandão é um homem feliz. Tem grandes amigos, excelentes funcionários, um trabalho eficaz e gratificante… É um homem politizado, preocupado com o planeta, com os rumos do Brasil e do mundo. Estudioso, atualizado, responsável, com visão administrativa abrangente e humana.

O mais importante para mim é que ele é irmão do Amaury, meu namorado, é, portanto, meu cunhado querido.

Parabéns Armandão. Que sua trajetória seja iluminada e abençoada!

Amamos você!

São José do Rio Pardo, 15 de setembro de 2019

As vontades da minha mãe.

           Minha mãe é a “rainha” das vontades. Cada dia deseja “algo” novo. Ela pede e quer realizado “na hora”. É uma coisa até engraçada. Já me acostumei, por exemplo, estamos almoçando, ela diz: Dá o guardanapo. Paro o garfo na metade da trajetória, pego o guardanapo e dou para ela. E assim por diante…tudo na hora.

Esta semana está pedindo que eu mande restaurar as cadeiras de madeira da sala de jantar. Os móveis desta sala, foram feitos pelo seu Floriano Batistela, na primeira reforma da casa, faz uns quarenta anos. Fui falar com o Floriano, está velho e não me pareceu apto para a empreitada. Atualmente só faz coisas pequenas e leves. Também o achei com o rosto meio inchado. Deve ter um pouco mais de 80 (oitenta) anos, mesmo assim, chama minha mãe de “vó”. Ela tem 94 (noventa e quatro). Nós nunca achamos que somos velhos…só os outros…

Fui falar com outro profissional, marcou dia e hora para orçar…esperei …nada.

Hoje, marquei com outro, disse que vem amanhã às 10 horas, vamos aguardar…

Essas cadeiras estavam ótimas, um certo aniversário, minha mãe resolveu lavar todas com água, sabão e escova… ficaram todas manchadas. Agora precisam ser lixadas e envernizadas. Vamos ver quanto vai ficar essa brincadeira…

Já mudou o quarto dela várias vezes …as coisas aqui em casa, cada hora estão em um lugar diferente. Tudo que não estiver como ela gostaria, a incomoda. No outro dia, troca de novo…

Enquanto eu puder, vou fazendo suas vontades…Quero que sinta dona da casa e fique feliz.

Não sei quem vai ser chamada por Deus primeiro, mas quero ter feito tudo… tudo mesmo, que estava reservado para minha missão de filha.

São José do Rio Pardo, 16 de setembro de 2019.