Eu, ciclista.

Pedalar, que sensação de liberdade e perigo!! Já caí muito, de bicicleta, machuquei, quebrei dente, fiz marcas em meu corpo. Mas pedalar é preciso! É muito bom…sentir o vento e um friozinho gostoso …neste fim de inverno…em todo o corpo. Uma delícia! 

Fazia tempo que não praticava esse esporte. Mas hoje acordei destinada a pedalar. Depois do café, vesti-me de ciclista e lá fui eu pelos arredores de São José.

Essa prática tem como dispositivo principal o equilíbrio, em apenas duas rodas, sem cinto de segurança e airbag …você fica exposta, nada lhe protege, se falhar o equilíbrio do corpo e da mente. Não combina pedalar com pensamentos ruins, tristeza, mágoa, ressentimentos…tudo isso faz você desiquilibrar…desiquilibrando a mente…o corpo fica frágil.

Outra necessidade é a atenção…nas travessias, nas pedras no meio do caminho, nos empecilhos naturais da rua: carros, pedestres, faixas, sinalizações … nas decisões de roteiro…nos sons…um verdadeiro radar fica instalado em seu cérebro. Tem que estar ligado e funcionando… nenhuma distração.

Parece que fazendo tudo isso o pedal fica tenso, chato… pelo contrário, fica solto, focado apenas no prazer de pedalar e voltar sem ter sofrido nenhum tombo, ou machucado…parece antítese, mas é como se  estivesse fazendo uma meditação, com o pensamento apenas em um propósito: curtir o passeio.

Fui até o bairro Beira Rio, algumas pessoas caminhando, paisagem campestre, sol, friozinho leve, sons de pássaros, muito verde, animais, casas grandes, céu azul. Sábado perfeito para um pedal.

Quando se anda de carro, essas particularidades passam despercebidas. A paisagem corre muito rápida, não há tempo para observações detalhadas.  

No caminhar há outras observações, o foco é o caminho e a mente pode devanear…aliás deve…o caminho sempre oferece possibilidades de catarse…de espairecer … de vários pensamentos…de saudades…de projetos.

 Tenho consciência da necessidade de testar vários tipos de enfrentamentos com o meu corpo, em várias modalidades que podem levar-me ao descobrimento de outras verdades, que a vida está aí a me oferecer. Sem medo!!!

São José do Rio Pardo, 24 de agosto de 2019.

Deixe um comentário