Glenda Innarelli Tiezzi

Morreu hoje, com 82 anos, minha amiga Glenda. Foi professora, diretora e supervisora de ensino. Trabalhei com ela, como supervisora, em Casa Branca.

Uma pessoa maravilhosa, educada, amiga, competente, simples, companheira…A Maria Garcia e eu, pegávamos carona sempre, tanto para ir, como para voltar. De São José à Casa Branca. A Glenda, quando começou como supervisora, minha comadre, Maria, e eu já estávamos tarimbadas nas caronas, ela não, estava iniciando a sutil arte caroneira.

Carona, literalmente, significa cara grande. Não se pode ter vergonha, tem que sinalizar, por a cara pra ser vista… A Maria Garcia, quando o carro parava , ficava explicando para o motorista: seu nome, o que fazia, o nome do seu marido…era sempre o mesmo ritual, para que não nos rotulasse, nem imaginasse algum pensamento ilícito. Nunca tivemos nenhum contratempo. Graças a Deus!

No começo, a Glenda pegava carona só junto conosco, até ficar destemida e partir para a carona solo. Foi um sucesso!!! Não ficava mais dependente. Só viajava de carona. Pegou o jeito e o gosto.

Essas caronas, além de poupar um dinheirinho, nos enriquecia com amizades novas, ficávamos sabendo de novidades e nos divertíamos bastante. Esse tempo é inesquecível!

Depois que aposentamos, a convivência foi afetada, o tempo era dedicado a outras tarefas, outros compromissos… Nos víamos de vez em quando…uma pena!

Soube, depois de muito tempo, que a Glenda estava com Alzheimer, que judiação!!!…O tempo foi passando… Um dia a vi sentada na porta da sua casa, com outra pessoa, ela riu e falou meu nome, nos abraçamos e fiquei por um tempinho conversando com ela…pareceu-me normal.

Hoje soube da sua partida para uma outra dimensão. Fui despedir-me e agradecer sua amizade, seu carinho e todo seu afeto.

Fique em paz, querida amiga!

Gratidão!!!

São José do Rio Pardo, 04/09/2019.

M.A.P.A. 24 horas.

Minha pressão arterial é bastante alta, tomo remédio…mas foi preciso dobrar a dose do Varsatana. Agora está melhor, mas houve consequências sérias, nos meus últimos exames: “dilatação discreta do Átrio Esquerdo, hipertrofias concêntricas moderada do Ventrículo Esquerdo, disfunção diastólica grau 1, insuficiência valvar mitral e aórtica de grau discreto”.  

Como se tudo isso não bastasse, minha alimentação sem muito cuidado, levou meu colesterol para 254 mg/dl.

Quando caminhava nas subidas de São José, tinha que parar várias vezes, meu coração batia na garganta. Não consegui fazer o teste Ergométrico. Parei assim que começou, pela fadiga e taquicardia.

Levei esses resultados ao meu cardiologista, ele disse para eu tomar “rosuvastatina”…e fazer exercícios.

Não conformada em ter que tomar essa medicação, pelos seus efeitos colaterais, comecei uma dieta rígida para abaixar o colesterol e retornei às atividades físicas.

A Dr. Lara Alves, médica integrativa, de Ribeirão Preto, veio fazer uns atendimentos na Clínica do Amaury, ele mostrou, nessa oportunidade, meus exames. Ela, então, fez o pedido do Monitoramento Ambulatorial de Pressão Arterial 24 horas (M.A.P.A). Enviou o pedido pelo Watzap.

Fui ao CEMEDI marcar o exame, em meados de agosto, que foi agendado para 03/09/2019.  Hoje, levantei bem cedo, às 7 horas tinha que estar no hospital para receber o equipamento. A atendente pediu o encaminhamento, disse que tinha ficado lá. Respondeu que não ficam com o pedido, que, sem ele, não poderia fazer o exame. Voltei para casa, revirei meus papéis…nada. Voltei ao hospital, em tempo hábil, mostrei o pedido no meu Watzap, ela disse que nada poderia fazer. Que era para eu ir ao SAVISA, que abriria às 8, pegar outra autorização e remarcar, não sei para quando.  A atendente disse também que não poderia colocar o equipamento depois das 7h30, sem nenhuma vontade de me ajudar.

Quando consegui outra autorização, era um pouco depois das 8 horas. Não daria mais tempo de fazer hoje, na CEMEDI, o exame, embora meu nome estivesse agendado e o aparelho ocioso… esperando por mim.  Então, optei por remarcar em Casa Branca, dia 19/09 às 9 horas.

A empatia deveria ser a tônica das pessoas que lidam com o público. Tentar fazer o máximo para deixar o outro bem atendido, é o mínimo.

São José do Rio Pardo, 03/09/2019

Cair e machucar, nunca mais.

Lembro de uma época que caía muito…e machucava. Fiz consulta com um geriatra que me encaminhou para uma neurolinguística em Ribeirão Preto, três horas de consulta. Fiz um monte de testes de memória, conclusão do laudo: déficit de atenção.

TDAH transtorno do déficit de atenção com hiperatividade. Os   sintomas são: desatenção, hiperatividade, impulsividade, ansiedade, depressão…

Quando predomina a desatenção, há dificuldade maior de concentração, de organizar atividades, de seguir instruções, de pular tarefas inacabadas…  Há distrações, esquecimentos, não se presta atenção nos detalhes …

Quando predomina a hiperatividade, há inquietação, agitação e falação. Há dificuldade com atividades sedentárias e de manter silêncio…

Quando predomina a impulsividade, há a impaciência, o agir sem pensar, a dificuldade de ouvir até o fim, precipitação para falar e a intromissão nos assuntos, conversas e atividades alheias…  

Caía porque minha ansiedade ofuscava minha atenção no aqui e agora. Eu nunca estava de corpo inteiro, presente e atenta naquilo que estava fazendo.

Não tomei nenhum remédio, tenho preocupação com os efeitos colaterais dos medicamentos, fui atrás de um tratamento alternativo: a meditação.

Fiz meditação guiada, durante dois anos com a excelente terapeuta Laís Gervásio. Agora medito sempre que sinto ansiosa. O poder da respiração e do relaxamento do corpo e da mente faz-me encontrar a paz e a tranquilidade, no agora.

A partir dessa providência terapêutica, parei de cair e de derrubar coisas. Presto mais atenção, fico mais atenta, minha energia é canalizada para pensamentos bons. Sinto o momento.

  O retorno é imediato, só coisas boas acontecem, quando você lança para o universo boas energias.

Na porta da frente da minha casa, há um quadrinho que diz: “Se a gente espalhar coisas boas por onde passar, a vida se encarrega de trazer outras melhores ainda”.

São José do Rio Pardo 02 de setembro de 2019.

1º de setembro

Hoje, domingo, primeiro de setembro de 2019, dia em que meu filho Fernando Luís completa 49 (quarenta e nove) anos de existência.

Quando se tem um filho, a emoção é tanta que não dá para explicar, cria-se essa criança, que vira adolescente, faz faculdade, casa e tem filhos…é tudo muito rápido. Tenho três netos, filhos do Fernando: O Gabriel Henrique, 20 anos, faz o primeiro ano de medicina; o Luiz Felipe, com 15 anos, primeiro ano do ensino médio e a Vitória que tem 6 anos.

Quando uma jovem mãe de 24 anos, pode pensar que aquele bebê será um homem feito, bem estruturado, com família, com cabelos grisalhos…e com 49 anos? A mãe não consegue pensar num filho maduro, ela sempre o vê como seu filhinho…sempre aquele bebê.

Agradeço a Deus por essa oportunidade de ver meu filho feliz e realizado, é o que toda mãe pede a Deus. Recebi essa graça e pude, em vida, constatar essa benção.

Tenho também uma filha, de 47 (quarenta e sete), casada e sem filhos. Também louvo a Deus por ela.

Sonhava que fossem saudáveis e felizes, e o são. Cada um com personalidades e posturas próprias. Filhos são uma preocupação constante das mães, quando pequenos, jovens ou adultos…Não fazia ideia o que fariam, como seriam…a minha preocupação é que fossem pessoas do bem, íntegras , responsáveis… Mãe é mãe, para sempre!

Que o Fernando Luís seja muito, mas muito feliz…ao lado da sua família e voltado para o próximo. Só quando você enxerga o próximo e se coloca em seu lugar, você consegue ver o mundo real. Essa é a grande missão da humanidade.

Parabéns meu querido filho! Amo Você!

São José do Rio Pardo, 1º de setembro de 2019.

Pedra que muito rola não cria limo

Hoje ouvi essa frase de um professor do Projeto Educar, o João, fiquei encantada, nunca havia escutado: Pedra que muito rola, não cria limo.

 É atribuída a Públio Siro (85 a.C-43 a.C). Aparece pela primeira vez, em inglês, A rolling stone gathers no moss, em 1546, creditado a Erasmo de Roterdã (1466-1536).

Quem quer criar limo? Eu não, nem ninguém, acredito.

Toda essa filosofia aconteceu por eu ter contado, no Projeto Educar, que agora sou blogueira. Imagina eu, com 73 anos, dando uma de moderna, recriando minhas atividades, participando do mundo virtual…Comentei com o João que tenho necessidade de atualizar sempre. Aí ele me disse a frase brilhante das pedras e o limo.

 Há outras traduções de “A rolling stone gathers no moss”: Uma pedra rolante não ganha bolor; É melhor andar que ficar parado; Pedra movediça não cria bolor

 Só meu corpo tem idade bastante, minha mente, minha vontade, minha alma, meus sentimentos…são jovens. Graças a Deus!!!

Dar aulas no Projeto, como voluntária; ver essa moçada inteligente ensinando com propriedade e responsabilidade; observar o carinho e a dedicação da Adriana, na competente função de coordenadora; passar a minha experiência de professora a alunos participantes e interessados…faz minha pedra rolar, rolar, rolar…Sou eternamente grata por essa oportunidade de estar sempre atualizada.

Hoje percebi, mais que outras vezes, que não sou eu que estou doando meu tempo e meus conhecimentos a esses jovens, estou recebendo em dobro nesta proposta de mudança, esse projeto é mágico: faz me sempre jovem, sem limo ou bolor. Gratidão!!!

São José do Rio Pardo, 31 de agosto de 2019.

Neuroacústica

Há pesquisas que revelam que ouvir música pode reduzir dores crônicas, atenuar a severidade de quadros depressivos, estimular o desenvolvimento da inteligência, garantir a melhora da saúde mental e aumentar a atividade do sistema imunológico.

Baseado nesses evidencias, Dr. Marcelo Peçanha De Paula, marcelodepaula@ neuracustica.com, psicanalista e pesquisador, foi o idealizador do Neuroacústica. É uma coletânea de álbuns, que você pode comprar individualmente e instalar no seu celular. Cada um é direcionado para um tipo de necessidade. Os sons, ouvidos com fone de ouvido, entram em seu cérebro, trazendo benéficos para sua saúde. O conteúdo gravado nos áudios é composto de duas camadas sonoras, uma contém estímulos e outra música incidental tridimensional. O resultado é uma composição de estímulos, através da música em 3D.

Na internet há, gratuitamente, para se testar essa atividade, “As quatro estações”, em www. Neuroacustica.com. Fiz o teste,  depois adquiri quatro áudios, é só colocar para ouvir que durmo de forma tranquila e relaxada.

A música em geral é uma excelente fonte de relaxamento e equilíbrio, é benéfica e um estímulo poderoso para o cérebro. Porém essa específica, Neuroacústica, são sons apropriados que atuam de forma terapêutica.

Não conhecia essa ferramenta importante para salvar a minha zebra (sistema nervoso parassimpático), quando fui à uma médica integrativa, em Ribeirão Preto, Dra. Lara Alves, que pude usufruir desse benefício. Depois o Amaury fez o curso com o Dr. Marcelo, em São Paulo, e, assim, pude entender melhor e adquirir outros áudios.

Uma noite dormida inteiramente, em repouso suave e tranquilo é tudo de bom.

São José do Rio Pardo, 30 de agosto de 2019.

A Zebra e o Leão

A zebra está pastando perto de um riacho, de repente escuta um barulho…um cheiro. Fica atenta, seus sentidos todos apurados, com a cabeça levantada, em estado de alerta total, a respiração mais rápida, os ouvidos e o tato aguçados…quase perto está o leão faminto, pronto para dar o golpe fatal. A zebra só tem dez segundos para escapar…e salvar sua vida. O leão tem só dez segundos para saciar sua voraz fome, caso corra e perca a vítima, perde mais energia, sua fome aumenta e pode não resistir a outra caçada. Cada um está no seu limite. Depende de uma ação eficaz e precisa para que um se salve, ou que o outro se alimente ou, ainda, que o leão tenha de procurar outro tipo de alimento, para sobreviver.

 Conforme o tipo de solução que encontramos para cada situação, podemos salvar a nossa zebra ou não. Depende de como afugentamos o leão; ou o leão mata a zebra e fica temporariamente alimentado.

Temos os dois animais dentro de nós. Um, a zebra, é o Sistema Nervoso Parassimpático, responsável por estimular ações que permitem ao organismo responder a situações de calma. Regular as batidas do coração depois de um susto…favorecer um estado de paz. O outro, o leão, o Sistema Nervoso Simpático (que deveria ser Antipático) é o responsável pelas alterações no organismo em situações de estresse ou emergência. Aumenta a frequência cardíaca, libera a adrenalina, aumenta a pressão arterial…

         Vivo fugindo de leões quase todos os dias…haja saúde e fôlego. Às vezes, demoro para acalmar e isso aguça a ansiedade.  Achei algumas saídas práticas: respiração, meditação, neuro acústica, caminhada, natação, escrita, conversa, leitura, descanso…para afastarem os meus leões e deixar a minha zebra ficar em paz.

São José do Rio Pardo, 29 de agosto de 2019

As galinhas do Seu Jorge

Estou preocupada com a destinação do lixo do planeta, principalmente com o da minha casa. Quase todos os dias coloco um saco de lixo na lixeira da rua. É muito lixo!!!

Coloquei como propósito diminuir o volume do meu lixo doméstico. Para isso foquei em separar o material reciclável, o resíduo para a compostagem, o pó de café para as plantas e as sobras dos alimentos para as “galinhas do Seu Jorge”.

Seu Jorge, não é o cantor, ator e compositor brasileiro, como pensava minha faxineira, é um grande amigo, pau para toda obra, ajuda toda vizinhança, sempre disponível. Pensa numa pessoa boa…é Seu Jorge!

Pois bem, esse maravilhoso amigo de todos, vende ovos caipira e mel. Cria suas galinhas num terreno próximo a sua casa. Essas galinhas comem o que jogar para elas. Então perguntei se podia levar as sobras das verduras, legumes e fruta: aquelas folhas, talos, sementes e cascas que descarto, quando vou preparar as refeições. Ele disse que seriam muito bem vindas. 

Todos os dias deixo do lado da pia uma sacola e vou separando o que vai para as galinhas do Seu Jorge.Depois, passo pela sua casa e coloco a sacola na área. No lugar de sempre, ele se encarrega, quando recolhe, da alimentação das galináceas.

Compro também os ovos oriundos dessas galinhas, que colaboro na alimentação, são saudáveis e confiáveis.

Com isso achei a formula de diminuir, um pouco, o lixo da minha casa.

Quando estudei, no curso normal, aprendi a Lei de Lavoisier: “Na Natureza nada se cria e nada se perde, tudo se transforma”. Estou colocando essa teoria em prática, é importante fazer parte dos que têm consciência de melhorar o planeta, com pequenos gestos.

Ainda há muito para fazer para reduzir mais o meu lixo: comprar só o necessário para evitar o desperdício, levar sacola retornáveis nas compras, evitar as sacolinhas plásticas, procurar produtos sem embalagens, ou menos camadas, os guardanapos de papel, substituir por pano, as esponjas, por buchas… Por enquanto serão essas as mudanças …mas não pararei por aí.

Mudar é preciso!

São José do Rio Pardo, 28 de agosto de 2019.

Um rato …mágico.

Faz um mês que combinei com a Luzia para me ajudar nos serviços domésticos e, quando preciso sair, olhar minha mãe. Minha mãe é uma benção! Tem 94 anos, é lúcida, tem uma memória fantástica, caminha sozinha, dorme sozinha, come sozinha, não usa fraudas, não toma remédios…uma benção! Apenas não enxerga direito, ouve mal e reclama de dores no corpo. Muito pouco, para tanta vivência! Tenho preocupação, se ela fica sozinha, em atender porta e telefone. No mais, ela fica numa boa. Liga a TV na Rede Vida, ou SBT, que possuem os programas que ela gosta, e tudo certo.

A Luzia vem três manhãs, segundas, quartas e sextas. Estou aproveitando para fazer aquela faxina…desde o teto até janelas, guarda roupa, gavetas, armários, geladeira, cortinas, porão, banheiros, quintal…muita coisa foi descartada, doada ou mandada para o lixo. Minha casa está limpíssima, perfumada…uma delícia!

Aproveitando esse embalo, pintei os vasos, podei as plantas e tirei todas as grades do quintal para pintar. Trabalhei quase até à noite. Aí as grades, que foram pintadas com tinta esmalte, não secaram, para as recolocar, tinha que esperar até o dia seguinte. Fiquei preocupada com as duas bocas de cano sem grade, uma, por onde escorre a água de chuva e a outra, que vai para o esgoto. Peguei dois panos de limpeza e tapei os buracos.

À noite fui preparar aula de literatura, ia dar aula no sábado, no Projeto Educar. Escutei um barulho, parecia de bacia, de balde ou alguma grade que caiu…pensei no vento, em gatos…Fui até a área de serviço. Acendi as luzes, dei uma examinada…parecia tudo certo, no lugar.  Dormi sossegada.

No outro dia, sexta, a Luzia chega e pergunta: o que vamos fazer hoje? Vamos recolocar as grades pintadas e lavar o quintal. Começamos, a Luzia sentiu sede, foi beber água no filtro da área de serviço. Escuto um grito! Um rato !!! Um rato!!!

Desceu as escadas voando…branca…nem conseguiu tomar água. O visitante inesperado estava debaixo da mesa de passar roupa…enorme…segundo ela.

Ficamos paradas, sem saber o que fazer…ela tinha medo e eu não conseguiria matá-lo, tenho dó. Antes de descer as escadas, a Luzia teve a presença de espírito de fechar a porta da cozinha, para que o ratão não fosse para dentro da casa.

Lembro, então, de verificar os panos das bocas dos canos, um estava no lugar; o outro, do esgoto, o danando do rato, havia tirado o tampão de pano…por ser grande, não teve nenhuma dificuldade de sair, afastando para dentro do cano o empecilho, penso eu.

Corri até a loja que vende ração, perto de casa e pedi para o senhor, que trabalha lá, fosse a minha casa matar o intruso. Ele estava atendendo, disse que assim que pudesse, iria…ficamos esperando o matador de rato, com vassouras na mão, no último degrau da escada. O nosso salvador chega com um cabo de enxada na mão. Sobe destemido as escada. Procura o rato por todos os lugares…nada. Nem sobra…deixou alguns vestígios: as, fezes, roeu a parte de cima do melão e, um pedaço do sabão de barra.

Orientou-me, o senhor exterminador, a comprar veneno de rato e colocar em alguns lugares, repetir a dose por uns três dias…que isso iria acabar com ele, com toda certeza.

Comprei dois pacotes do veneno infalível…coloquei em recipientes por vários lugares da casa.

Fiquei por vários dias verificando se o inquilino indesejável, havia comido o alimento fatal. Que nada! Tudo no lugar, nem um grão foi comido, nem vestígios. Depois de uns três dias, recolhi o material mortal. O rato desapareceu. Sumiu…

Fiquei feliz em não precisar matá-lo, ficaria muito mal. Ele estava no esgoto, seu habitat, eu, tirando as grandes, abri caminho para sua saída …agora, matá-lo? Seria uma judiação!! Para onde ele foi, fico pensando…voltou para o esgoto? Foi para alguma outra casa? Será que o mataram em outro lugar? Ou ele ainda permanece na minha casa?

A história terminou bem para todos, ele saiu vivo e eu não me tornei responsável pela sua morte …maravilha!!!

A magia do seu desaparecimento, foi um golpe de mestre.

São José do Rio Pardo, 27 de agosto de 2019.

Eu, mediadora.

Exerci a profissão de advogada por 22 anos, aproximadamente. Não queria ter a pressão dos prazos mais; já aposentada como supervisora de ensino e como professora, optei por ficar apenas como mediadora no CEJUSC ( centro judiciário de solução de conflitos e cidadania) fase processual , na área de direito de família, em São José do Rio Pardo, em caráter voluntário.

Gosto de mediar, percebo que faço bem esse papel, ajudo as pessoas, tenho empatia, paciência, disponibilidade e muito respeito pelos problemas alheios.

Fiz vários cursos para poder exercer essa função. Sempre às próprias custas. O Judiciário é muito beneficiado com os mediadores, pois a pauta dos juízes é bem aliviada. Mediar toma tempo, muito tempo… Atuo,no máximo, três processos, por vez… É muito tenso mediar conflitos familiares, mesmo trabalhando o interno, não há como não sofrer junto, levar os problemas para casa, ficar tentando achar soluções… Muitas vezes o acordo não acontece por causa das mágoas, das decepções, dos ressentimentos…Conviver é uma tarefa difícil, que só dará certo como um amor incondicional: querer a felicidade do parceiro (a). O egoísmo é o principal vilão.

Hoje mediei dois processos, com acordo nos dois, Graças a Deus. Mas, isso só foi possível pela compreensão das partes e a predisposição de ser flexível. Tudo num ambiente de paz e civilidade.

Mas nem sempre é assim, há disputas acirradas, falas exaltadas e posturas infantilizadas.

O ser humano não é linear, os meandros psicológicos, as vivências familiares anteriores, as disputas por bens materiais, a inveja, o ciúme, a ingratidão…as culpas, as carências, a falta de perdão, a indiferença, o desamor …tiram a simplicidade de viver em harmonia e paz. Que são os principais requisitos para a tão sonhada felicidade.

São José do Rio Pardo, 26 de agosto de 2019.