Eu, tenista.
Quantos “eus” temos dentro de nós? Que o diga o grande escritor e poeta português, Fernando Pessoa, que construiu uma infinidade de heterônimos. O ser é muito complexo, é uma caixinha de surpresa…basta destampá-la e dar asas à imaginação.
Tenho também dentro de mim uma pluralidade de “Marlys”, não só na parte cognitiva, mas, também no aspecto físico. Comecei a fazer atividade física, quando vim morar em São José; meu filho, Fernando, tinha bronquite e quatro anos. Fui orientada por um médico que ele praticasse esporte, só assim teria chances de cura. Porém meu filho só fazia as atividades físicas se eu fizesse junto. Fiz corrida, natação, Judô e aprendi a jogar tênis. Quando vim morar aqui, tinha 28 anos.
O tênis é o meu esporte de domingo. Domingo é sinônimo de ir ao clube jogar tênis. Pratico essa habilidade esportiva com muita alegria. Faz-me muito bem para o corpo e muito mais para a alma.
Tenho muita saudade do meu professor de tênis, o querido e saudoso José Benedito Feijó, o “Zé Fexinho”. Grande incentivador e amigo.
Participei de campeonatos, jogos regionais, amistosos, em dupla ou simples…tenho grandes amigos dessas jornadas. Possuo guardados com carinho troféus, medalhas e fotos.
Como hoje é domingo, de manhã estava friozinho e ventando bastante, mas tinha sol e um céu azul de brigadeiro, fui ao clube jogar meu tênis. Vesti roupa de tenista, peguei a raquete, boné e óculos de sol e cumpri um ritual: ir caminhando até a casa do Amaury, meu namorado, amigo e parceiro nas manhãs de domingo, para batermos bola, na quadra da AAR.
Ele sempre corrige meus defeitos de jogada, nunca desiste, espera sempre que eu melhore, que acerte os golpes, que me afaste da bola, para poder fazer o movimento inteiro com a raquete. Que bata profundo na direção certa, que não dê bola alta, que antecipe a batida, não deixando a bola cair demais…e assim por diante. Ele é um excelente mestre! Tenho muita gratidão pela sua paciência e dedicação.
Acredito que a cada domingo, ao retornar para casa, aprendo algo que me faz realizar o jogo de forma mais correta. É repetindo, insistindo, observando, ouvindo os conselhos, acreditando, posicionando e agindo que consigo adquirir movimentos mais perfeitos, e, assim, errar menos.
Preciso lembrar de seguir essa fórmula de acertos não só no jogo de tênis, mas no jogo do dia a dia, esses parâmetros de correções, repetições e posicionamentos adequados, certamente me farão realizar jogadas quase que perfeitas.
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São José do Rio Pardo, 25 de agosto de 2019